A Bíblia do Cético
COMENTADA
Daniel 5
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
1
- O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes e
bebeu vinho na presença dos mil.
2 - Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os
utensílios de ouro e de prata que Nabucodonosor, seu pai, tinha
tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o
rei, os seus grandes e as suas mulheres e concubinas.
Aparentemente, o autor de Daniel só conheceu dois reis babilônicos
durante o período do exílio: Nabucodonosor e Belsazar que ele
erroneamente pensa ser seu filho. Nabucodonosor morreu em
3 - Então, trouxeram os utensílios de ouro, que foram tirados
do templo da Casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles
o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.
4 - Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de
prata, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra.
5 - Na mesma hora, apareceram uns dedos de mão de homem e
escreviam, defronte do castiçal, na estucada parede do palácio real;
e o rei via a parte da mão que estava escrevendo.
6 - Então, se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos
o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus
joelhos bateram um no outro.
Uma mão escreve na parede, e quando o rei vê isto
fica assombrado e "as
juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no
outro."
7 - E ordenou o rei, com força, que se introduzissem os
astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei e disse aos
sábios de Babilônia: Qualquer que ler esta escritura e me declarar a
sua interpretação será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de
ouro ao pescoço, e será, no reino, o terceiro dominador.
8 - Então, entraram todos os sábios do rei; mas não puderam
ler a escritura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
9 - Então, o rei Belsazar perturbou-se muito, e mudou-se nele
o seu semblante; e os seus grandes estavam sobressaltados.
10 - A rainha, por causa das palavras do rei e dos seus
grandes, entrou na casa do banquete; e falou a rainha e disse: Ó
rei, vive eternamente! Não te turbem os teus pensamentos, nem se
mude o teu semblante.
11 - Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses
santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e
sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei
Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos,
dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores.
12 - Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e
ciência, e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas,
e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar;
chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará interpretação.
13 - Então, Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o
rei e disse a Daniel: És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que
o rei, meu pai, trouxe de Judá?
14 - Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos
deuses está em ti e que a luz, e o entendimento, e a excelente
sabedoria se acham em ti.
15 - Acabam de ser introduzidos à minha presença os sábios e
os astrólogos, para lerem esta escritura, e me fazerem saber a sua
interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras.
16 - Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar
interpretações e solver dúvidas; agora, se puderes ler esta
escritura e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de
púrpura, e terás cadeia de ouro ao pescoço, e no reino serás o
terceiro dominador.
17 - Então, respondeu Daniel e disse na presença do rei: As
tuas dádivas fiquem contigo, e dá os teus presentes a outro;
todavia, lerei ao rei a escritura e lhe farei saber a interpretação.
18 - Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai,
o reino, e a grandeza, e a glória, e a magnificência.
19 - E, por causa da grandeza que lhe deu, todos os povos,
nações e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava
e a quem queria dava a vida; e a quem queria engrandecia e a quem
queria abatia.
20 - Mas, quando o seu coração se exalçou e o seu espírito se
endureceu em soberba, foi derribado do seu trono real, e passou dele
a sua glória.
21 - E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu
coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com
os jumentos monteses; fizeram-no comer erva como os bois, e pelo
orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o
Altíssimo, tem domínio sobre os reinos dos homens e a quem quer
constitui sobre eles.
22 - E tu, seu filho Belsazar, não humilhaste o teu coração,
ainda que soubeste de tudo isso.
23 - E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram
trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, os teus
grandes, as tuas mulheres e as tuas concubinas bebestes vinho neles;
além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de cobre,
de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem, nem sabem;
mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a
ele não glorificaste.
24 - Então, dele foi enviada aquela parte da mão, e
escreveu-se esta escritura.
25 - Esta, pois, é a escritura que se escreveu: MENE, MENE,
TEQUEL e PARSIM.
26 - Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu
reino e o acabou.
27 - TEQUEL: Pesado foste na balança e foste achado em falta.
28 - PERES: Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos
persas.
29 - Então, mandou Belsazar que vestissem Daniel de púrpura,
e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a
respeito dele que havia de ser o terceiro dominador do reino.
30 - Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos
caldeus.
31 - E Dario, o medo, ocupou o reino, na idade de sessenta e
dois anos.
Um Dario fictício é talvez confundido pelo autor com Dario da
Pérsia que subiu ao trono em